quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

John Mayer é banido do programa de Oprah após comentário racista

Você acaba de ler esse título e pensa: que cara idiota. 

Agora leia um pouco mais e veja o que ele falou, segundo algumas fontes aqui mostradas :

" O músico, que se mostrou pouco interessado em manter relações íntimas com mulheres negras "
IOL Música

"Recentemente, ele virou alvo de críticas depois de afirmar não estar aberto para relacionamentos com mulheres negras. "Acho que não estou aberto para este tipo de relação. Meu pênis funciona como um supremacista branco. No meu coração não tenho preconceitos, mas meu pênis não funciona assim. Acho que vou começar a sair sem ele", disse John Mayer."
 Quem Notícias

Antes de se deixar envolver pela emoção e abrir uma caçada às bruxas (racistas), vamos analisar racionalmente a situação. Sim, os racistas merecem uma caçada a eles. Mas a pergunta é, seria mesmo esse um comentário racista?

Eu vejo a questão como simples e pura preferência sexual. E como tal, ela passa por tamanhos, formas, tipos e cores de pessoas. Todos tem sua própria preferência sexual. Há homens que simplesmente são vidrados em mulheres negras e as preferem, estariam eles sendo preconceituosos com as brancas ?

Sim, porque numa era em que tentamos compensar anos de injustiça com os negros, caindo pelo outro extremo de uma paranóia racista, é bom às vezes inverter as coisas para entender que nem tudo é racismo. Infelizmente o racismo ainda existe, em números, em procedimentos, em falas e em comportamentos. E existe em sua pior forma, a cínica, formado por falsos defensores das minorias que na realidade apenas estão atuando. E são justamente esses que caem pelo outro extremo. Talvez na tentativa de parecer tão " justos e legais para com todos", soam superficiais e erram o alvo.

Quando finalmente um dia atingirmos a consciência de que a cor não define uma pessoa melhor que a outra, como também a sexualidade, como também diversos outros aspectos não definem diferenças importantes, assuntos como esses serão tão bobos que vão ser comentários naturais, e sequer vão dar ibope. Será o dia em que um branco não vai se ofender em ser chamado de branco, nem o negro de ser chamado de negro. Isso é não-racismo, agir com a naturalidade de quem sabe que somos todos seres humanos e compartilhamos praticamente o mesmo código genético e estrutura.

Enquanto existirem reações histéricas procurando racismo em tudo o que se fala, isso demonstra que ainda não estamos prontos e estamos caindo de um extremo para o outro, até quem sabe um dia encontrar um equilíbrio. Até lá, balançamos de um lado para outro compensando as injustiças do passado. Da mesma forma que os alemães, envergonhados de seu passado nazista, não gostam nem de tocar no assunto e já proibiram negar o Holocausto. Claro que negar o Holocausto é uma burrice, mas como reagem a um historiador que, pelo bem da ciência, resolva re-conferir as versões oficiais que temos hoje? É como quem diz: " Já odiamos o que fizemos, então por favor não mexa nisso, estamos proibindo qualquer um de mexer nisso."

Algo parecido com o atual movimento de contra-racismo. Esse movimento deveria primar pela igualdade, não pelo outro extremo, que beira o superprotecionismo patético. Se você teve um filho e batia muito nele, para compensar não adiantará bater apenas no outro toda vez que eles se desentenderem. A saída humana e racional é parar de bater nos dois. Um mundo de igualdade onde acreditamos que cor não define capacidade.

Nesse mundo, "Sim, sou negro, e isso é ruim?" - deve pensar o negro. Claro que não, portanto não há porque se ofender. O mesmo dirá o branco, o índio, o homossexual.

Lembro do episódio do atacante Grafite, ex São Paulo, que queria processar um argentino por ser chamado de negro. Se ele apenas foi chamado de negro e se ofendeu, então ele próprio se preconceitualiza. Se o argentino utilizou frases pejorativas, aí sim ... mas não sabemos exatamente o que foi dito.

O que o John Mayer fez, que confesso nem sei que música toca ou se é bom, foi mostrar uma preferência sexual, mas ele se atrapalhou nas palavras e jogou, na segunda frase ali em cima, uma idéia controversa. Não vou defender o cara porque não sei se de fato ele é racista, estou expondo meu entendimento da situação. No entanto o "espertão" conseguiu produzir uma frase com palavras proibidas de estarem juntas nos tempos paranóicos em que vivemos: negras, supremacista, branco e preconceito.

A junção mal colocada dessas frases dá o entendimento de um comentário racista ao leitor menos atento. Quando ele diz que no coração dele não há preconceitos, mas no pênis sim, ele derrapa de vez. Se ele é mesmo um racista, não adianta pedir desculpas, adianta ser menos babaca e aprender coisas novas até mudar essa idéia.

Se foi apenas um comentário que demonstra preferência sexual, qual é o problema? Há mulheres que preferem homens gordinhos e não gostam muito sexualmente de peludos. Há homens, como eu, que preferem peitos do que bunda, e não vamos ser processados pelas bundudas com peitos pequenos, vamos ?
E dentro das preferências sexuais, cores definem preferências. Como você pode preferir uma roupa amarela, e eu uma vermelha, e odiar tons de marrom nas mulheres. Como homens diferenciam preferências entre loiras e morenas. E nada disso é crime ou racismo. O cantor não tem atração sexual por negras, ora, só isso. Poderia ser por brancas, ruivas, japonesas, estamos no campo das preferências. Preconceito é completamente outra história.


Enfim, precisamos começar a rever nossas posições. Se queremos mesmo um mundo igual, e acho que queremos, precisamos agir com a naturalidade de pessoas que acreditam em um mundo igual em termos de capacidade de pessoas. Ser racista e ser caça-racista sem fundamento é igualmente nada sábio.



Rato.

2 comentários:

Nívia Cristiny disse...

Também concordo que John Mayer não foi racista nesse comentário, acho que o preconceito contra os negros já começa com eles próprios!!! Já que eles são iguais aos brancos porque então cota p negros em universidades, porque se ofendem ao serem chamados de negros se é a raça deles, assim como branco é uma raça!
Acho que eles os negros deveriam parar de se colocar como vitimas e se comportarem como iguais, o papel de coitadinhos já começa a cansar. Entendo bem todo o sofrimento que passaram e sofreram na época da escravidão, mas isso já ocorreu a décadas atrás, agem como se o mundo tivesse uma divida eterna com eles.
Penso que eles devem ser os primeiros a darem um basta nessa questão de racismo, a partir do momento que de fato começarem a se aceitar e perceberem que são iguais a qualquer pessoa, mesma capacidade p pensar, agir e reagir ai sim o preconceito possa vim a acabar um dia!

;-******

Juliana Estevão disse...

Sou negra, respeito a preferência sexual das pessoas mesmo que isso envolva etnia. Porém não vejo necessidade de expor isso gerando divisões. Boquinha fechada é a melhor opção para um assunto íntimo