sábado, 30 de maio de 2009

E onde estão nossos adolescentes rebeldes e irritantes ? Deram lugar à geração playboy ?





Eles páram seus carros nas esquinas, ou nos postos de gasolina,
e colocam seus poderosos subwoofers à serviço de músicas industrializadas por efeitos de sintetizadores , cruzam os braços , o que contrai os músculos e esteticamente os faz parecer mais fortes, e aguardam encostados em seus carros, geralmente rebaixados e cheios de tunning.

Achegam-se a seus amigos, já com todas as mentiras que contribuirão para sua imagem pessoal, se contadas, planejadas para serem ditas numa roda de autodenominados amigos, os quais reagirão a essa mentira com mentiras ainda maiores.
Conversam por um bom tempo, seguindo uma sequência nada difícil de prever, como quantas mulheres pegaram na última vez, quantos travestis eles acertaram com o tapete do carro enrolado enquanto passavam de carro. Ou obviamente os assuntos de lei, exercícios na academia, que podem derivar para tipos de anabolizantes, e acessórios de carro, que pode derivar para funcionamento mecânico do veículo, assuntos tidos por eles como obrigatórios e identificadores da sua heterossexualidade. Por falar nisso, precisam ser homófobos em potencial. Há uma série de coisas que não fariam com medo de serem confundidos com homossexuais, e quanto a esses, sempre os hostiliza, para que a diferença que acreditam existir seja mais fortemente demarcada.
Despedem-se de seus amigos contando mais mentiras, supostamente a serem realizadas tão logo sáiam dali, antevendo que isso melhorará sua imagem social perante eles na próxima vez que se encontrarem.
Ao longo de suas histórias, além de constantemente se enganarem e sempre procurarem num baú de respostas prontas aquelas que melhor se adaptem às perguntas que lhe são feitas, não têm geralmente a alegria de serem eles mesmos, mas precisam encarnar diferentes personagens de suas próprias criações. Conviverão, portanto, com a eterna dúvida " Os que gostam de mim , gostam de mim , ou de meus personagens? "
Seus laços de amizade em geral são mais fracos, porque não se basearam em confiança, mas em oportunismo, como uma simbiose social. Uma garota linda seria suficiente motivo para disputa interna e deterioração desses laços.
Lealdade !? Quantos deles sabem ou sentiram isso ?? Agir por honra, lutar por ideais, seguir guiado por aquilo que acha certo...

De onde saem os namoros quebrados por traição, as amizades que se sustentam até que se abra a temporada de caça às mulheres, aos objetivos egocêntricos de carreira ?!! Das histórias pessoas daqueles que nunca souberam o que é lealdade ... que nunca sentiram que suas ações podem moldar sua própria honra , e sua honra constrói quem você é.

De quem falo nesse texto? Da maioria de nossa juventude .
Cansei de ver jovens acomodados nas salas de aula do meu ensino médio e fundamental, contentes por não chamarem atenção dos professores, mesmo que não concordassem com muitas coisas. Haviam os testa-de-ferro, como eu e meus saudosos amigos, que faziam isso por eles. Mas nunca sentirão a satisfação de brincar de mártir, e ver que o mundo a sua volta pode ser mudado por suas ações.
Uma geração anterior reuniu-se para tirar Fernando Collor de Melo da presidência.
O que há com nossos jovens? Talvez eles repitam demais o que os pensadores do passado pensaram, e não seja instigados a pensar por si próprio. Seria isso, caros educadores? Ou a geração da alta tecnologia está mesmo fadada a escrever um capítulo humilhante da história da juventude.

Eu, particularmente, não quero fazer parte disso.
Que me chamem de velho então ;-)



;- ))

Um comentário:

Nívia Cristiny disse...

Então somos dois velhinhos!!!

Não suporto também essa playboyzada de hj! Sem objetivo, sem sentido, que só querem se mostrar e mostrar o que tem ou que podem.
Que coisa contraditória, a cada nova geração parece que a juventude só regride!!!

Bjo.